Quando uma empresa começa a crescer, uma das primeiras preocupações do empresário costuma ser manter a operação organizada e evitar burocracia. Por isso, o Simples Nacional acaba sendo a escolha de muitos negócios.
E faz sentido.
O regime foi criado justamente para simplificar o recolhimento dos tributos, reunindo vários impostos em uma única guia, o DAS. Além disso, em muitos casos, o controle fiscal e tributário pode ser mais simples quando comparado a outros regimes.
O problema começa quando a empresa permanece no Simples Nacional apenas porque ele é mais fácil de administrar, sem analisar se ainda é a opção mais econômica.
Conforme o faturamento aumenta, o imposto também pode aumentar
Um ponto que muitos empresários não percebem é que a alíquota do Simples Nacional não permanece necessariamente a mesma durante toda a vida da empresa.
De forma geral, o cálculo considera o faturamento acumulado dos últimos 12 meses. Assim, conforme a receita da empresa aumenta, ela pode avançar nas faixas previstas pelo regime e ter uma alíquota efetiva maior.
Uma empresa que começou pagando uma carga tributária bastante interessante pode, alguns anos depois, estar pagando um percentual muito maior sobre o seu faturamento.
É justamente nesse momento que surge uma pergunta importante:
O Simples Nacional ainda é realmente o melhor regime para essa empresa?
Nem sempre.
O regime mais fácil não é necessariamente o mais barato
Muitos empresários têm receio de sair do Simples porque acreditam que o Lucro Presumido ou o Lucro Real são regimes muito mais complicados.
Do ponto de vista operacional, realmente existem diferenças. Porém, uma empresa não deveria escolher seu regime tributário apenas pela facilidade de cálculo.
A decisão precisa considerar, entre outros fatores:
- faturamento da empresa;
- atividade exercida;
- margem de lucro;
- quantidade de funcionários;
- valor da folha de pagamento;
- despesas operacionais;
- créditos tributários disponíveis;
- localização dos clientes e fornecedores;
- impostos incidentes sobre as operações;
- expectativa de crescimento.
Dependendo dessas características, uma empresa enquadrada no Simples Nacional pode descobrir que estaria pagando menos impostos no Lucro Presumido ou até mesmo no Lucro Real.
Um exemplo simples
Imagine uma empresa que começou pequena e, naquele momento, o Simples Nacional era claramente vantajoso.
Com o passar dos anos, ela conquistou novos clientes, aumentou o faturamento, contratou funcionários e expandiu suas operações.
O empresário comemora o crescimento como deveria.
Porém, enquanto o negócio cresceu, a tributação também mudou.
A empresa passou para faixas superiores do Simples e começou a desembolsar um percentual muito maior todos os meses. Mesmo assim, ninguém parou para comparar quanto ela pagaria em outro regime tributário.
Esse é um erro bastante comum.
A empresa pode passar meses ou até anos pagando mais impostos simplesmente porque nunca realizou uma simulação tributária comparativa.
Não existe um regime tributário melhor para todas as empresas
Esse é um ponto muito importante.
O Simples Nacional não é ruim.
O Lucro Presumido não é melhor em todos os casos.
E o Lucro Real também não deve ser visto apenas como um regime destinado a grandes empresas.
Cada negócio possui uma realidade diferente.
Duas empresas que faturam exatamente o mesmo valor podem ter cargas tributárias completamente diferentes dependendo da atividade, da folha de pagamento, das despesas, da margem de lucro e de diversos outros fatores.
Por isso, o planejamento tributário precisa ser feito com números reais da empresa.
Cresceu? Então é hora de revisar a tributação
Quanto mais uma empresa cresce, mais importante se torna revisar periodicamente o seu enquadramento tributário.
Não basta verificar apenas se ela ainda pode permanecer no Simples Nacional.
A pergunta correta deveria ser:
Mesmo podendo permanecer no Simples Nacional, ainda vale a pena permanecer nele?
Essa pequena mudança de pergunta pode representar uma diferença significativa no caixa da empresa.
Em determinados cenários, continuar no Simples pode ser a melhor escolha. Em outros, migrar para outro regime pode gerar economia tributária e tornar a empresa mais competitiva.
Planejamento tributário também faz parte do crescimento
Escolher o regime tributário não deveria ser uma decisão tomada apenas uma vez, na abertura da empresa.
O negócio muda.
O faturamento muda.
A margem muda.
A equipe aumenta.
Novos produtos ou serviços são incorporados.
E a tributação precisa acompanhar essas mudanças.
Por isso, empresas em crescimento devem fazer simulações periódicas entre Simples Nacional, Lucro Presumido e Lucro Real, avaliando não apenas o percentual dos impostos, mas o impacto tributário completo de cada alternativa.
No final, o objetivo não é escolher o regime mais simples.
É escolher o regime mais eficiente para a realidade da empresa.
Na Ferenza Estratégia Tributária e Contábil, analisamos os números da empresa e simulamos diferentes cenários para identificar se o regime tributário atual continua sendo o mais vantajoso.
Porque pagar impostos é uma obrigação. Pagar mais do que o necessário por falta de planejamento, não precisa ser.