Escolher um regime tributário não deveria ser apenas uma decisão tomada quando a empresa abre e muito menos uma escolha repetida todos os anos simplesmente porque “sempre foi assim”.
Uma empresa muda. O faturamento cresce, a margem diminui ou aumenta, novos funcionários são contratados, despesas surgem, a carteira de clientes muda e novos mercados são explorados.
E, a partir de 2027, temos mais um elemento importante nessa equação: os efeitos da Reforma Tributária começam a entrar de forma mais concreta na rotina das empresas.
Por isso, antes de simplesmente permanecer no Simples Nacional, Lucro Presumido ou Lucro Real, o empresário deveria fazer uma pergunta:
Se minha empresa fosse analisada hoje, do zero, eu escolheria novamente o mesmo regime tributário?
O Simples Nacional é realmente o mais econômico?
O nome pode transmitir a ideia de que o Simples Nacional será sempre a opção mais vantajosa para pequenas e médias empresas.
Mas não necessariamente.
Conforme o faturamento aumenta, a alíquota efetiva também pode crescer. Dependendo da atividade, da folha de pagamento e da estrutura da operação, chega um momento em que permanecer no Simples pode deixar de representar economia.
Por isso, olhar apenas para o faturamento não é suficiente.
É preciso analisar quanto a empresa efetivamente paga de tributos em relação à sua receita e comparar esse resultado com os demais regimes disponíveis.
E o Lucro Presumido?
O Lucro Presumido pode ser bastante eficiente para determinados modelos de negócio, principalmente quando a margem efetiva da empresa é superior à margem presumida pela legislação.
Por outro lado, essa mesma característica pode torná-lo pouco interessante para empresas que apresentam margens reduzidas.
Na prestação de serviços em geral, por exemplo, a legislação utiliza, em diversas situações, percentual de 32% da receita para determinação da base da CSLL no Lucro Presumido.
Isso significa que não basta perguntar:
“Qual é a alíquota do Lucro Presumido?”
A pergunta correta é:
“Considerando a realidade econômica da minha empresa, quanto eu efetivamente pagaria nesse regime?”
Lucro Real não deve ser descartado automaticamente.
Existe ainda uma percepção muito comum de que Lucro Real é um regime destinado apenas a empresas muito grandes.
Do ponto de vista estratégico, esse raciocínio pode fazer uma empresa descartar uma alternativa antes mesmo de realizar os cálculos.
No Lucro Real, a análise passa pela rentabilidade efetiva da operação, despesas dedutíveis, estrutura de custos, créditos tributários e particularidades da atividade.
Uma empresa com faturamento relevante, margem reduzida e estrutura significativa de custos e despesas pode encontrar nesse regime uma carga tributária mais eficiente do que aquela que teria no Simples Nacional ou no Lucro Presumido.
O regime mais simples operacionalmente não é necessariamente o regime mais econômico.
Em 2027, a Reforma Tributária entra nessa decisão.
A análise ganha uma nova dimensão com a CBS e o IBS.
Para as empresas do Simples Nacional, passa a existir a possibilidade de permanecer no regime e, ao mesmo tempo, optar pelo recolhimento regular de IBS e CBS modelo que vem sendo chamado de Simples “híbrido”.
A própria Receita Federal destaca que essa alternativa pode ser relevante principalmente para empresas que vendem ou prestam serviços para outras pessoas jurídicas, devido ao impacto sobre o aproveitamento de créditos tributários pelos clientes.
Portanto, a decisão deixa de envolver somente:
“Em qual regime eu pago menos imposto?”
Ela também passa a envolver:
“Qual estrutura tributária torna minha empresa mais competitiva para os meus clientes?”
Esse é um ponto que merece atenção especial das empresas B2B.
O que o empresário deveria colocar na mesa antes de decidir?
Uma análise tributária para o próximo exercício deveria considerar, no mínimo:
- faturamento atual e projeção para o próximo ano;
- margem de lucro real da operação;
- custos e despesas;
- folha de pagamento e pró-labore;
- atividade exercida e CNAEs;
- perfil dos clientes: pessoa física ou pessoa jurídica;
- perfil dos fornecedores;
- possibilidade de aproveitamento de créditos;
- benefícios e regimes fiscais aplicáveis à atividade;
- operações interestaduais, quando existentes;
- impactos de IBS e CBS;
- impacto tributário para os clientes;
- projeção da carga efetiva no Simples Nacional;
- projeção no Lucro Presumido;
- projeção no Lucro Real.
Somente depois dessa comparação é possível tomar uma decisão baseada em números.
Não espere o imposto ficar caro para começar a analisar.
Um dos erros mais comuns é procurar planejamento tributário somente quando a carga tributária já se tornou um problema.
O ideal é justamente o contrário.
Planejamento tributário deve acontecer antes da decisão.
E 2026 traz um motivo adicional para antecipar essa análise.
Para empresas que desejam ingressar no Simples Nacional em 2027, o calendário mudou: a solicitação deve ser realizada entre 1º e 30 de setembro de 2026, com efeitos a partir de janeiro de 2027. Empresas que já estão regularmente enquadradas no Simples, em regra, permanecem automaticamente, mas também precisam avaliar a forma de recolhimento de IBS e CBS.
Ou seja: esperar janeiro para começar a pensar em 2027 pode ser tarde.
Quanto sua empresa poderia economizar com uma escolha melhor?
Na Ferenza, entendemos que planejamento tributário não significa simplesmente procurar o regime com a menor alíquota.
Significa compreender a operação, projetar cenários e identificar qual estrutura tributária faz mais sentido para o momento atual e para os próximos passos da empresa.
Simples Nacional, Lucro Presumido ou Lucro Real não devem ser escolhidos por hábito. Devem ser escolhidos por números.
Sua empresa cresceu? Sua margem mudou? A folha aumentou? O perfil dos clientes mudou? Você vende para outras empresas? Pretende crescer em 2027?
Então talvez seja o momento de revisar o seu enquadramento.
A Ferenza realiza o diagnóstico tributário da operação, compara os cenários e apresenta ao empresário os números necessários para uma decisão mais segura e estratégica.
Antes de simplesmente permanecer no mesmo regime em 2027, descubra se ele continua sendo o melhor para a sua empresa.
Ferenza Estratégia Tributária e Contábil.
Estratégia tributária para empresas que querem crescer com números, planejamento e segurança.